terça-feira, 24 de março de 2015

Uma Conversa sobre Apicultura com Afonso Silva

O Afonso Silva tem um método engenhoso, muito particular, de fazer abelhas-rainhas, que captiva qualquer um.
É fácil, é barato, produz excelentes resultados. 
Por essa razão, não podia deixar passar a oportunidade de trazer o Afonso Silva cá ao Norte, para que possa partilhar o seu interessante método de criação de de rainhas, connosco. E mais não precisaria de dizer.


No entanto, quando se juntam dois apicultores, a conversa acaba, invariavelmente, nas abelhas e, há dias, tivemos a oportunidade de conversar e achei que esta conversa seria uma excelente introdução ao Afonso e à sua experiência. Aqui fica ela:

Afonso, como descobriste a apicultura?
Iniciei-me na apicultura, numa tarde de Maio, por mero acaso. Foi há tanto tempo, que já nem me lembro quando aconteceu.
Enquanto curava a batata para o míldio, lembro-me de ver os meus companheiros desatarem numa correria estrada abaixo. Um deles tinha, já, 60 anos - foi a única vez que me lembro de o ver correr!
Era um enxame, de tamanho mediano, que resolveu pousar no muro de pedra da propriedade. Fiquei, curioso. Fui-me aproximando. Lembrei-me que tinha uma colmeia artesanal, que me tinha sido oferecida em troca de alguma lenha, guardada na garagem, havia mais de 1 ano.
Fui buscar a colmeia, coloquei-a ao lado do enxame e fiquei fascinado a vê-las entrar.
Passado pouco tempo, recolhi um segundo enxame para dentro de um barril.
Assim me iniciei!
O curioso é que, na minha zona (Sobral de Monte Agraço), a apicultura era escassa e, durante mais de uma década, era raríssimo ver um enxame.

 

Um início auspicioso!
(Risos) Mais ou menos. Durante um ano, viveram, ambos, no terraço da minha avó. Ia vê-los, a cada semana. Os dois enxames acabaram por sucumbir ao segundo Inverno, já próximo à Primavera. Esse foi o motivo que me levou a querer saber mais sobre apicultura. O primeiro livro foi-me oferecido. Depois, veio um segundo, e mais, e mais. E muito, muito estudo sobre as abelhas.
Nesse segundo ano comprei 3 núcleos, que evoluíram e se tornaram 4 enxames preparados para invernar. Tirei os meus primeiros oito quilos de mel!!


Correu melhor, dessa vez?
Sim! As coisas foram acontecendo, naturalmente, e os quatro enxames passaram a oito, e depois a doze... Quando tive que deixar Portugal, por motivos profissionais (o Afonso é engenheiro mecânico), tinha vinte-e-quatro enxames e imensa sede de aprender!
A tua saída de Portugal causou alguma interrupção na tua actividade como apicultor?
Nem por sombras! Continuei a tentar aprender, visitando tudo o que podia, por essa Europa fora.
Quando regressei a Portugal, em 2012, ainda tinha vinte-e-dois enxames, mas alguns estavam em mau estado.



Mas não esmoreceste!
Estava decidido a viver da apicultura! Queria fazer uma apicultura onde os químicos fossem, apenas, o último recurso. Queria trabalhar com a Natureza a favor das abelhas.
Nesse ano, cresci, como apicultor, de vinte-e-dois para setenta enxames. No ano seguinte, passei de setenta a cento-e-vinte (e com alguns núcleos vendidos).
Este ano conto invernar duzentos enxames, vendendo, pelo menos, outros 50. Talvez inverne mais de duzentos...


Como tens lidado com a varroa?
Tenho tratado a varroa com ácidos orgânicos, sumo de limão e óleos essenciais de plantas. Este ano, a título extraordinário, devido ao Inverno atípico, que gerou uma quantidade anormal de varroa, interrompi este ciclo pela primeira vez em cinco anos e usei um tratamento químico.
Para mim, os tratamentos convencionais são a excepção, e não admito utilizá-los frequentemente.

O que te levou a partilhar o que sabias sobre os tratamentos biológicos à varroa?
Tento ensinar a outros aquilo que vou a aprendendo com os meus "mestres apicultores", pois acredito que apenas o Conhecimento pode mudar a nossa apicultura para melhor.


Como te vês como apicultor?
Não sou um apicultor intensivo, mas também não sou um pequeno apicultor. Sou alguém que acredita poder viver, profissionalmente, em torno das abelhas e poder ter uma excelente qualidade de vida, próximo à família.
Acredito muito na qualidade do produto final, e acho que o apicultor pode, e deve, entender a abelha e as suas necessidades, a fim de lhe proporcionar tudo o que ela necessita. Se as tratarmos bem, elas também cuidarão de nós!!
Gosto muito da apicultura fixa, sem stress. Quero ter, apenas, a quantidade de colmeias que de possa cuidar. Mais vale uma colmeia bem cuidada do que duas mal tratadas.




Podias, em duas pinceladas, descrever a beleza e as vantagens do teu método de criação de rainhas?

Sim, claro.
1.º - Utilizo muito menos material específico de criação de rainhas, o que torna o método muito mais barato;
2.º - As rainhas são extremamente bem alimentadas, logo serão rainhas de 1.ª qualidade, em tudo semelhantes a rainhas de substituição natural;
3.º - O aproveitamento do material standard que temos ao nosso dispor;
4.º - Para quem vê mal, ou quer um método natural sem recurso ao picking, a solução é rápida, barata e permite produzir 30 rainhas sem grande investimento.


E como encaras este novo “Workshop de Criação de Rainhas com Afonso Silva, em Paredes”?
Vou aí ao Norte, a Paredes, com o intuito de "descomplicar e desmistificar" a arte que é fazer boas rainhas! Rainhas acessíveis ao pequeno e médio apicultor, sem necessidades de grandes investimentos. São as minhas "Rainhas de 7 tostões": fáceis, baratas e de 1.ª qualidade.
Espero que gostem!


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