domingo, 22 de maio de 2016

Como tem sido o curso de apicultura em Serralves?

Ser convidado para leccionar um curso de apicultura numa instituição como Serralves é, para mim, uma enorme honra. Serralves é conhecida pela qualidade dos seus programas, pelo que a fasquia é elevada e os participantes não esperam menos do que isso. Naturalmente, leccionar este curso é, também, uma enorme responsabilidade que abraço entusiasticamente.

Eu adoro partilhar o que sei. Neste curso temos como objectivo preparamos os alunos para poderem tratar, com confiança, as suas abelhas e poderem evoluir, como apicultores, à medida que vão ganhando mais experiência prática.

Embora a base deste curso seja preparar os participantes a trabalhar com as colmeias mais utilizadas em apicultura convencional, em Portugal, conhecimentos sobre a especificidade de colmeias utilizadas em apicultura naturalista, como a Top Bar, são, compreensivelmente, bem-vindos, entre os participantes.
 
Que ferramentas costumo trazer na minha "mala de apicultor"? O que serve para mim, poderá servir para qualquer um.

 
Uma sovela, um alicate de pontas e um rolo de arame, por exemplo, dão um jeito enorme para aramar quadros velhos.

Serralves sempre nos tratou muito bem, à hora do lanche. Já repararam no meu chapéu afegão? Presente de um amigo!

Ao lanche não pode faltar o mel das colmeias TimberBee!

Os dias de curso nem sempre nos têm brindado com a meteorologia mais adequada a um curso de apicultura! Aqui, foi chegar ao apiário, olhar para as colmeias e voltar para trás.

Assim, houve que improvisar e fazer simulações na sala.

Mesmo com a meteorologia contra nós, na maior parte dos dias do curso (!!!) conseguimos ir ao apiário e abrir um bom número de colmeias, nem que, para tal, tivéssemos que improvisar mais uma aula extra, como aconteceu ontem, em que cada participante teve a oportunidade de abrir e inspecionar uma colmeia, interpretando o que lá se passava. Mas o curso ainda não acabou, pelo que voltaremos ao Apelo da Floresta com mais imagens, em que não faltarão imagens das aulas no apiário!

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

A exibição do filme Burt's Buzz e conversa sobre abelhas, em Serralves, na Sexta-feira

Noite de Sexta-feira.
Noite de tempestade - uma boa tempestade!
Noite de Futebol: S.L Benfica - F.C. Porto.
E conseguimos encher a biblioteca de Serralves com uma audiência interessada em assistir à primeira exibição do filme documental Burt's Buzz e à conversa sobre abelhas, apicultura e apicultores que se seguiu.



O filme Burt's Buzz, do realizador canadiano Jody Shapiro, retrata a vida de Burt Chavitz, um pequeno apicultor de uma zona rural do estado americano do Maine que, sem o ter como objective de vida, criou uma multinacional de cosméticos naturais: a Burt's Bees. O facto de se ter tornado milionário não o afastou das suas abelhas, preferindo viver numa pequena propriedade, sem electricidade, rodeado pelos seus animais. Burt, da Burt's Bees, faleceu pouco depois do filme ter estreado, em 2015.


A conversa que se seguiu contou com a Ana Jervis, criadora do Apiário Pedagógico da Quinta Ecológica da Moita, em Aveiro, da Elisabete Alves, do Serviço Educativo da Fundação de Serralves, do Harald Hafner, o apicultor mais conhecido de Portugal, e de mim.


Durante a conversa falámos sobre o documentário, sobre a Burt's Bees, sobre o estilo de vida despretensioso de Burt Shavitz, sobre as suas abelhas... A preocupação com o declínio dos insectos polinizadores foi outro assunto que os presentes não deixaram escaper.
Agradecemos ao realizador Jody Shapiro por toda o apoio que nos presto na organização deste evento. Thanks, Jody!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Curso de Apicultura em Serralves 2016


CURSO DE APICULTURA EM SERRALVES
 
13 FEV 2016 A 18 JUN 2016
 
A discussão temática à volta das abelhas e dos demais insetos polinizadores é atualmente bastante pertinente: a sobrevivência da humanidade depende do importante e laborioso trabalho de polinização prestado por estes insetos, que polinizam cerca de 75% das espécies de plantas do Planeta, e que nos ajudam a proporcionar uma terça parte da nossa alimentação.
No entanto, as abelhas estão ameaçadas por diversas doenças, alterações climáticas, perda de habitat e falta de alimento, fatores decorrentes das monoculturas, dos agroquímicos utilizados em agricultura intensiva e das práticas apícolas que não respeitam o bem-estar animal.
 
O Curso de Apicultura tem a duração de 5 dias (35 horas) e, ao longo dos 5 módulos mensais, abordará os temas:
·         biologia e ecologia da abelha;
·         maneio apícola;
·         sanidade apícola;
·         produtos da colmeia;
·         extração do mel.
 
A formação dará ênfase às práticas de apicultura naturais e em maior sintonia com a ecologia da abelha e com a Natureza.
Durante 35 horas de atividade teórico-prática, em vários Apiários, serão tratados os temas fundamentais da Apicultura e proporcionado espaço de debate e experiência prática.
O dia da graduação será um dia de celebração com a cresta, ou colheita do mel!
 
OBJETIVOS DO CURSO
 
·         Proporcionar o primeiro contacto com as abelhas e com a colmeia;
·         Aprender a distinguir obreiras, zângãos e rainha e conhecer tudo sobre o seu ciclo de desenvolvimento e as suas funções no enxame;
·         Aprender a aplicar os novos conhecimentos sobre a biologia e ecologia da abelha melífera na planificação das intervenções a fazer no apiário;
·         Identificar parasitas e doenças, bem como procedimentos para prevenção e resolução;
·         Conhecer a flora apícola e abordar a planificação da logística do ano apícola de uma exploração;
·         Adquirir conhecimentos sobre os diferentes produtos da colmeia e como os produzir e valorizar.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


 
Formador: Miguel Leal (Biólogo, Apicultor e proprietário da empresa TimberBee)
Datas: 13 fevereiro, 19 março, 9 abril, 14 maio e 18 junho 2016 (sábados)
Horário:10h00-13h00 e 14h00-18h00
Local: Parque de Serralves e Apiário em Paredes (a entrada para o Parque faz-se pela Rua Bartolomeu Velho, 141)
Nr. máximo de participantes: 15
 
 
INSCRIÇÕES E CONDIÇÕES
TARIFÁRIO
Inscrição: 135,00 euros
INSCRIÇÕES
Poderá realizar a sua inscrição:


·         Online;

·         Na receção do Museu: de 2ª a domingo, no horário normal de funcionamento;

·         Por transferência bancária, à ordem de Fundação de Serralves com o NIB: 0010.0000.86451970001.02 -enviando comprovativo e dados da inscrição por e-mail para a.silva@serralves.pt

·         Os dados necessários para a inscrição são: nome completo, idade, endereço de e-mail, telefone/telemóvel, informação se é alérgico a picada de abelha.

·         A inscrição está sujeita a confirmação mediante vagas existentes; é respeitada a ordem de entrada;

·         A inscrição concede acesso gratuito ao Museu nos dias do curso.

 

CONDIÇÕES E DESCONTOS

Pagamento no ato de inscrição.

10% desconto para Amigos de Serralves.

A realização do curso implica a inscrição de um número mínimo de participantes.

Por motivos imprevistos ou meteorológicos o programa pode estar sujeito a alterações de calendário.

DESISTÊNCIAS

O pedido de desistência de participação no curso deve ser feito com uma antecedência mínima de 5 dias úteis. O reembolso é efetuado no prazo de 30 dias após o envio, pelo participante, do original do recibo e NIB.

INFORMAÇÕES ÚTEIS

·         Todos os módulos do curso, com exceção das visitas a Apiários, realizam-se no Parque de Serralves; 

·         Os formandos deverão trazer calças grossas, botas e roupa de manga comprida, para as aulas no apiário; nas aulas práticas é fornecido fato de apicultor;

·         O transporte a partir do Porto para os Apiários será efetuado de carro, em regime de boleias partilhadas, sendo as pessoas, que disponibilizarem o seu carro, ressarcidas da despesa;

·         Os formandos receberão Certificado do curso no último dia;

·         Estão previstas paragens nas sessões teóricas a meio da manhã e tarde para chá/café e pão com mel;

·         O almoço será a cargo dos formandos, sendo, no entanto, possível trazer a sua refeição e almoçar na Quinta de Serralves, em registo informal.
 

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Segundo Workshop Avançado de Apicultura com Harald Hafner

Ainda há vagas para o 2.º Workshop Avançado de Apicultura, facilitado pelo nosso amigo e mestre apicultor Harald Hafner, que arranca, já, este Domingo!


Onde: em Paredes
Quando:
24 de Maio (Domingo);
9 de Junho (Terça-feira, à noite);
10 de Junho (Quarta-feira, feriado) de 2015
Com quem: Com o Mestre Apicultor Austríaco Harald Hafner
Conteúdos: 
Módulo 1: Aprender a ler e interpretar o que se passa na colmeia, reconhecer problemas com o enxame e saber o que fazer quando nos deparamos com eles.
Módulo 2: Conhecer a Flora Apícola. A sua importância na obtenção de bons resultados na apicultura.
Módulo 3: Habilitar o formando a combater a Varroa por métodos mais naturais.
Para quem: apicultores que desejem ganhar mais confiança na sua prática apícola e obter respostas àquelas dúvidas que surgem durante o maneio, associadas à sanidade e desenvolvimento do enxame.
Custo: €60,00
Organizado por: TimberBee




Módulo 1. Ler e interpretar a colmeia, reconhecer problemas e saber o que fazer durante a inspecção das colmeias
Qualquer apicultor já passou por isto: abrimos uma colmeia e, ao tentar interpretar o que se passa lá por dentro, temos mais perguntas do que respostas. O que se passa com o enxame? Está saudável, ou padecerá de alguma doença? Porque não se desenvolve? A rainha estará saudável? O enxame estará em vias de enxamear? Que intervenções deverei efectuar? Duvidamos da interpretação que fazemos, sentimos alguma insegurança sobre o que devemos fazer, em seguida.
Estas questões podem, por vezes, ser intimidatórias e causar dores de cabeças e insegurança, especialmente em apicultores com poucos anos (ou poucas colmeias abertas) de experiência.
Este módulo de um dia, predominantemente prático, habilitará o participante a ler e interpretar o que vê, a identificar os pontos mais importantes a considerar, e como aplicar essa informação na sua prática e na planificação dos trabalhos a efectuar.
O módulo será facilitado pelo Mestre Apicultor austríaco Harald Hafner e implicará a abertura de uma boa quantidade de colmeias, em vários apiários.

Duração: 1 dia completo (09h00 – 17:00)


Módulo 2: "A Flora Apícola e a sua Importância para uma Apicultura Sustentável"
:


A Flora apícola provê a base alimentar das abelhas. Uma oferta de néctar e pólen regular é um factor imprescindível para boas colheitas de mel e para a saúde e força da colmeia.

80% da flora europeia e 80% das nossas plantas de cultivo dependem do trabalho dos insectos polinizadores. Uma grande parte deste trabalho assenta sobre os ombros de uma espécie única de insecto: a abelha-melífera. Através do seu serviço de polinização, a abelha-melífera fornece-nos, gratuitamente, muito mais do que os doces produtos da colmeia. Ela assegura a diversidade da nossa alimentação e a produção de frutos e sementes da grande maioria das plantas silvestres que integram os ecossistemas do Planeta.

Este módulo tem por objectivo proporcionar um olhar profundo sobre esta relação e como ela influencia a prática apícola, os nossos sistemas agrícolas, a nossa segurança alimentar e muito mais...

Alguns dos temas que poderão ser explorados:
  • Importância da flora apícola para a apicultura, saúde da colmeia, agricultura e a biodiversidade dos nossos ecossistemas;
  • Factores principais que influenciam a flora apícola. (Solos, nutrientes, clima etc.);
  • Abelhas e Flores – uma relação íntima desde milhões de anos;
  • Exemplos de sistemas de polinização;
  • Importância das abelhas como polinizadores principais;
  • Dependência das plantas de cultivo da polinização;
  • Aproveitamento e melhoramento da flora apícola;
  • Diferentes associações de plantas e habitats e como podemos influenciar as áreas silvestres, flora natural e espontânea;
  • Aumentar a flora natural;
  • Transumância para colheitas de néctar;
  • Planificação de colheitas e como influenciar;
  • Plantas melíferas e poliníferas de Portugal Continental.

Duração: 2 horas (21h00 – 23:00)

Módulo 3. Varroa destructor: problema ou oportunidade para chegarmos a uma apicultura mais racional?
Trinta anos passados desde a sua chegada à Europa, o ácaro Varroa destructor continua ser a principal dor de cabeça do apicultor. Todos os anos, a morte de milhares de enxames é atribuída a este parasita da abelha melífera.
A maioria dos métodos de controlo do parasita tem por base uma estratégia unilateral que emprega agentes químicos que, por sua vez, desencadeiam uma série de efeitos não desejáveis e que comprometem a sua própria eficácia e a saúde da colmeia a médio e longo prazo.
No entanto, existe uma série de estratégias e técnicas alternativas que, tendo por base o conhecimento profundo da biologia e do ciclo de vida do ácaro e do seu hospedeiro (a abelha melífera), permitem o seu controlo sem que precisemos de usar químicos sistémicos.
Neste módulo, que trabalhará com a biologia, ciclo de vida, e a delicada interação da Varroa destructor com o ecossistema da colmeia, iremos explorar alguns desses conceitos e demonstrar diversas técnicas de controlo, incluindo métodos biotécnicos, e trabalhar em segurança com diferentes ácidos orgânicos.


Duração: 1 dia completo (09h00 – 17:00)

Serão aceites 16 formandos para este workshop.

À semelhança dos últimos cursos, as refeições serão feitas em piquenique partilhado (cada participante traz um pequeno farnel para partilhar com os colegas).

Pede-se aos interessados que preencham a ficha de inscrição, que pode ser descarregada aqui.

No acto de inscrição, deverão transferir 1/3 do valor da inscrição para o NIB da TimberBee: 0035 0585 00045180 230 13.
Só assim a inscrição será formalizada e a frequência assegurada. Por favor enviem comprovativo de pagamento para o miguel.timberbee@gmail.com.

O restante será pago no segundo dia do curso. 


Para mais informação contactar: Miguel Leal miguel.timberbee@gmail.com ou 91 376 2626.

terça-feira, 5 de maio de 2015

E foi assim o 1.º Workshop Avançado de Apicultura com o Harald Hafner, em Paredes

O 1.º Workshop Avançado de Apicultura com o Harald Hafner, em Paredes, foi um evento memorável! Começámos na Quinta-feira, à noite, com o pé direito e com a palestra "Novas tendências da apicultura europeia". Foi uma sessão aberta a todos, e enchemos a sala - o que foi excelente, pois foi das palestras do Harald que mais me agradaram.

Na Sexta-feira (feriado de 1 de Maio), a chuva não parou de cair. Sem problemas: invertemos o calendário e avançámos com o módulo sobre as técnicas de controlo da Varroa  destructor (que nos ocupou o dia todo!).

Já o Sábado brindou-nos com um dia excelente para abrirmos colmeias - e foi isso mesmo que fizemos! Dois apiários completos - um de manhã, outro de tarde.

Com tanta colmeia para abrir, não houve falta de situações para interpretar. Os formandos tiveram a oportunidade de diagnosticar doenças das abelhas; carências alimentares; sinais de enxameação (ténues, nuns casos, evidentes, noutros); problemas causados pela Varroa (invisível); confirmar a presença de uma nova rainha num enxame sem postura (e sem que tivéssemos visto a rainha)...

Para tornar a experiência ainda melhor, este apiário tinha uma das localizações mais agradáveis, das que vi, até à data!

As meninas iam chegando, carregadas de pólen...

Sem luvas! Sem luvas!

E com luvas, outras vez! Para a próxima vez, agradecemos que não batam com a prancheta na colmeia, para sacudir de lá as abelhas!

Ao fim do dia, ainda houve a hipótese de testarmos o novo Oxamat Jumbo, acabadinho de chegar da Alemanha - um vaporizador para tratamento da Varroa destructor, que usa ácido oxálico e que promete grandes avanços no tratamento biológico a este parasita da abelha. Penso que foi a primeira vez que foi usado em Portugal!
Sessão de 3 minutos, e as abelhas não mostraram o mínimo sinal de terem ficado incomodadas.

Foto de grupo! Alguns dos antigos formandos que nos tinham pedido para organizar uma formação deste tipo estiveram lá e, no fim, manifestaram-nos a sua satisfação com a maneira como tudo correu. Os participantes saíram satisfeitos, o formador saiu satisfeito, a organização terminou o dia com um sorriso de orelha a orelha. Obrigado a todos os que contribuíram para tornar este um grande fim-de-semana! :-) 


domingo, 19 de abril de 2015

Adeus ao Estrado Económico Timberbee!

Foi o estrado original das colmeias Timberbee, foi um passo em frente, relativamente aos estrados de fundo sólido e foi um estrado que cativou muitos apicultores. Ainda foram muitas as colmeias Lusitanas e Reversíveis a serem equipadas com o Estrado Económico Timberbee, mas, hoje, chega a altura de, definitivamente, ceder o lugar ao estrado Performance.


O estrado sanitário Económico, da TimberBee sempre funcionou muito bem no que tocava à limpeza do fundo da colmeia, e à queda do ácaro Varroa destructor para o exterior da mesma, mas tinha uma grande desvantagem, relativamente ao estrado Performance: no que toca à administração de tratamentos biológicos à Varroa, como com o ácido fórmico, timol ou ácido oxálico, obrigava a que a colmeia tivesse que ser levantada, para se colocar, por debaixo, uma placa de cartão que impeça a saída dos gases do interior da colmeia. E quando se trabalha sozinho, não é uma operação fácil.



Ainda tenho vários estrados Económicos a equiparem algumas das minhas colmeias, mas estou a adaptá-los, um a um, para terem as mesmas funcionalidades dos estrados Performance.

sábado, 18 de abril de 2015

A Primeira Velutina do Ano!

A imagem não é grande coisa, e o ninho encontra-se, totalmente, destruído, mas ela aí está: a primeira Vespa velutina do ano!
Era uma fundadora e encontrava-se em processo de construção do ninho primário, que ainda tinha o tamanho de um punho. O local escolhido? De entre as várias possibilidades oferecidas pela zona... debaixo da cobertura exterior de uma escola!

Ah, e foi em Vila Nova de Gaia, se era essa a questão que já colocavam...

De qualquer modo, para nós, no Vale do Sousa, 2015 promete ser bastante mais animado do que 2014!
Boa sorte para todos!

terça-feira, 24 de março de 2015

Uma Conversa sobre Apicultura com Afonso Silva

O Afonso Silva tem um método engenhoso, muito particular, de fazer abelhas-rainhas, que captiva qualquer um.
É fácil, é barato, produz excelentes resultados. 
Por essa razão, não podia deixar passar a oportunidade de trazer o Afonso Silva cá ao Norte, para que possa partilhar o seu interessante método de criação de de rainhas, connosco. E mais não precisaria de dizer.


No entanto, quando se juntam dois apicultores, a conversa acaba, invariavelmente, nas abelhas e, há dias, tivemos a oportunidade de conversar e achei que esta conversa seria uma excelente introdução ao Afonso e à sua experiência. Aqui fica ela:

Afonso, como descobriste a apicultura?
Iniciei-me na apicultura, numa tarde de Maio, por mero acaso. Foi há tanto tempo, que já nem me lembro quando aconteceu.
Enquanto curava a batata para o míldio, lembro-me de ver os meus companheiros desatarem numa correria estrada abaixo. Um deles tinha, já, 60 anos - foi a única vez que me lembro de o ver correr!
Era um enxame, de tamanho mediano, que resolveu pousar no muro de pedra da propriedade. Fiquei, curioso. Fui-me aproximando. Lembrei-me que tinha uma colmeia artesanal, que me tinha sido oferecida em troca de alguma lenha, guardada na garagem, havia mais de 1 ano.
Fui buscar a colmeia, coloquei-a ao lado do enxame e fiquei fascinado a vê-las entrar.
Passado pouco tempo, recolhi um segundo enxame para dentro de um barril.
Assim me iniciei!
O curioso é que, na minha zona (Sobral de Monte Agraço), a apicultura era escassa e, durante mais de uma década, era raríssimo ver um enxame.

 

Um início auspicioso!
(Risos) Mais ou menos. Durante um ano, viveram, ambos, no terraço da minha avó. Ia vê-los, a cada semana. Os dois enxames acabaram por sucumbir ao segundo Inverno, já próximo à Primavera. Esse foi o motivo que me levou a querer saber mais sobre apicultura. O primeiro livro foi-me oferecido. Depois, veio um segundo, e mais, e mais. E muito, muito estudo sobre as abelhas.
Nesse segundo ano comprei 3 núcleos, que evoluíram e se tornaram 4 enxames preparados para invernar. Tirei os meus primeiros oito quilos de mel!!


Correu melhor, dessa vez?
Sim! As coisas foram acontecendo, naturalmente, e os quatro enxames passaram a oito, e depois a doze... Quando tive que deixar Portugal, por motivos profissionais (o Afonso é engenheiro mecânico), tinha vinte-e-quatro enxames e imensa sede de aprender!
A tua saída de Portugal causou alguma interrupção na tua actividade como apicultor?
Nem por sombras! Continuei a tentar aprender, visitando tudo o que podia, por essa Europa fora.
Quando regressei a Portugal, em 2012, ainda tinha vinte-e-dois enxames, mas alguns estavam em mau estado.



Mas não esmoreceste!
Estava decidido a viver da apicultura! Queria fazer uma apicultura onde os químicos fossem, apenas, o último recurso. Queria trabalhar com a Natureza a favor das abelhas.
Nesse ano, cresci, como apicultor, de vinte-e-dois para setenta enxames. No ano seguinte, passei de setenta a cento-e-vinte (e com alguns núcleos vendidos).
Este ano conto invernar duzentos enxames, vendendo, pelo menos, outros 50. Talvez inverne mais de duzentos...


Como tens lidado com a varroa?
Tenho tratado a varroa com ácidos orgânicos, sumo de limão e óleos essenciais de plantas. Este ano, a título extraordinário, devido ao Inverno atípico, que gerou uma quantidade anormal de varroa, interrompi este ciclo pela primeira vez em cinco anos e usei um tratamento químico.
Para mim, os tratamentos convencionais são a excepção, e não admito utilizá-los frequentemente.

O que te levou a partilhar o que sabias sobre os tratamentos biológicos à varroa?
Tento ensinar a outros aquilo que vou a aprendendo com os meus "mestres apicultores", pois acredito que apenas o Conhecimento pode mudar a nossa apicultura para melhor.


Como te vês como apicultor?
Não sou um apicultor intensivo, mas também não sou um pequeno apicultor. Sou alguém que acredita poder viver, profissionalmente, em torno das abelhas e poder ter uma excelente qualidade de vida, próximo à família.
Acredito muito na qualidade do produto final, e acho que o apicultor pode, e deve, entender a abelha e as suas necessidades, a fim de lhe proporcionar tudo o que ela necessita. Se as tratarmos bem, elas também cuidarão de nós!!
Gosto muito da apicultura fixa, sem stress. Quero ter, apenas, a quantidade de colmeias que de possa cuidar. Mais vale uma colmeia bem cuidada do que duas mal tratadas.




Podias, em duas pinceladas, descrever a beleza e as vantagens do teu método de criação de rainhas?

Sim, claro.
1.º - Utilizo muito menos material específico de criação de rainhas, o que torna o método muito mais barato;
2.º - As rainhas são extremamente bem alimentadas, logo serão rainhas de 1.ª qualidade, em tudo semelhantes a rainhas de substituição natural;
3.º - O aproveitamento do material standard que temos ao nosso dispor;
4.º - Para quem vê mal, ou quer um método natural sem recurso ao picking, a solução é rápida, barata e permite produzir 30 rainhas sem grande investimento.


E como encaras este novo “Workshop de Criação de Rainhas com Afonso Silva, em Paredes”?
Vou aí ao Norte, a Paredes, com o intuito de "descomplicar e desmistificar" a arte que é fazer boas rainhas! Rainhas acessíveis ao pequeno e médio apicultor, sem necessidades de grandes investimentos. São as minhas "Rainhas de 7 tostões": fáceis, baratas e de 1.ª qualidade.
Espero que gostem!


segunda-feira, 23 de março de 2015

Rainhas de 7 Tostões - Workshop de Criação de Rainhas

Onde: em Paredes  
Quando: 3, 10 e 17 de Maio de 2015
Com quem: Com o apicultor e formador em apicultura Afonso Silva 

Para quem: para todos os interessados em criar as suas próprias rainhas.  
Custo: €70,00  
Organizado por: TimberBee

Para mais informação contactar Miguel Leal:
miguel.timberbee@gmail.com ou 91 376 2626.


Criar rainhas?
Quer sejamos apicultores profissionais ou apicultores de tempos livres, a perda ou quebra de fecundidade de uma abelha-rainha de qualidade são problemas com que frequentemente nos deparamos e aos quais temos que dar solução.
A solução mais lógica e mais eficaz é  termos a nossa própria criação de rainhas!
Por outro lado, termos a nossa própria criação de rainhas permitir-nos-á diversificar o nosso projecto apícola e obter um rendimento adicional.

Conteúdos:
Neste workshop, os formandos aprenderão a criar as suas próprias rainhas de um modo simples, económico e sem recurso a ferramentas especializadas..


Orgânica do Workshop:
Este workshop estende-se ao longo de 3 Domingos consecutivos, de modo a que os formandos assistam e participem nos momentos críticos no processo de criação de rainhas.
As sessões terão lugar aos Domingos, das 9 da manhã às 5 da tarde, com parte teórica e trabalhos práticos no apiário.

No encerramento do workshop, cada formando levará consigo uma rainha para introduzir em colmeia ou núcleo.

Tentámos manter este curso a um valor módico para o participante: 70€.

Serão aceites até 16 formandos para este workshop. As inscrições estão abertas e já há manifestações de interesse. Pede-se aos interessados que preencham a ficha de inscrição que pode ser descarregada aqui.

No acto de inscrição, deverão ser transferidos 20€ para o NIB da TimberBee: 0035 0585 00045180 230 13.
 

Só assim a inscrição será formalizada e a frequência assegurada. Por favor enviem comprovativo de pagamento para o miguel.timberbee@gmail.com.

Os restantes 50€ serão pagos no primeiro dia do curso.